Atendimento Educacional Especializado - Pessoa com Surdez.
As pessoas com
surdez enfrentam inúmeros entraves para participar da educação escolar, devido
à perda da audição e da forma como são concebidas as propostas educacionais das
escolas, voltadas para o público ouvinte, centrada na oralidade. Os alunos com surdez podem ser prejudicados
pela falta de estímulos adequados ao seu potencial cognitivo,
sócio-linguísticos e político-cultural e ter perdas consideráveis no
desenvolvimento da aprendizagem.
Pesquisas e estudos realizados na última década do século XX e início
do século XXI, por vários autores e pesquisadores oferecem contribuições à
educação de alunos com surdez na escola comum, propiciando a valorização das
diferenças no convívio social e o reconhecimento do potencial de cada ser
humano. Perlin (1998:56) afirma que
"o surdo tem diferença e não deficiência, e a preocupação
que pretendo explorar aqui, antes de tudo, trata da diferença e
diversidade." Romper barreiras e
criar possibilidades para a efetiva inserção de alunos com surdez nas salas do
ensino regular com qualidade, criar espaços acolhedores e ambientes propícios à
aprendizagem da pessoa com surdez, são desafios diários da inclusão. Os limites
da pessoa com surdez, provocam dificuldades ao trabalho pedagógico que é padrão
nas escolas comuns, faltando-lhes propostas e práticas que dêem conta das
diferenças humanas em geral. Faz-se
necessário construir um novo modelo de Escola, uma escola que se organiza para
todos, independente de alguma pessoa ter deficiência visível, no qual todas as
diferenças são reconhecidas e valorizadas do potencial humano é a prioridade do
fazer educativo cotidiano.
Mantoan (2003) nos diz que é necessário esquecer as subdivisões
entre os sistemas escolares regulares e especiais, reinventar as formas de ver
o ensino e a aprendizagem, eliminar as rupturas e os fragmentos do conhecimento
e das relações interpessoais. Em
síntese, é preciso provocar um impacto político-social e educacional, rompendo
com os modos lineares do pensar e agir humano no que se refere à escolarização.
O contexto da Política Nacional de Educação Especial na
Perspectiva da Educação Inclusiva, conduz à uma tomada de posição que resulta
em novas práticas de ensino e aprendizagem consistentes para a educação de
pessoas com surdez, nas escolas públicas e particulares.
De acordo com o Decreto 5.626, de 5 de dezembro de 2005, as
pessoas com surdez tem direito a uma educação que garanta a sua formação, em
que a Língua Brasileira de Sinais e a Língua Portuguesa escrita, constituam
línguas de instrução, e que o acesso as línguas ocorra de forma simultânea no
ambiente escolar.
A proposta bilíngue pauta a organização da prática pedagógica na
escola comum, na sala de aula comum e no AEE.
O AEE para os alunos com surdez, promove o acesso do aluno ao
conhecimento escolar na forma das duas línguas, Libras como primeira língua e a
Língua Portuguesa escrita como segunda língua. Promovendo a participação
efetiva e ativa nas aulas e o desenvolvimento do seu potencial cognitivo,
afetivo, social e línguístico, com os outros colegas da escola comum. O professor de AEE trabalha em parceria, de
forma a auxiliar o professor da sala regular e família sobre como e quais
procedimentos e ferramentas pedagógicas podem otimizar o processo de aprendizagem
do aluno com surdez.
Referências Bibliográficas:
1 - DAMÁZIO, M. F. M.; ALVES, C. B. Atendimento Educacional
Especializado do aluno com surdez. Capítulo 2. São Paulo: Moderna, 2010.
2 - ALVES, C. B. A.
Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar : abordagem bilingue na
escolarização de pessoas com surdez. – Brasilia: Ministério da Educação,
Secretaria de Educação Especial; [Fortaleza]: Universidade Federal do Ceará,
2010.
3 - DAMÁZIO, M. F. M.
Atendimento Educacional Especializado: Pessoa com Surdez. Formação Continuada a
Distância de Professores para o Atendimento Educacional Especializado –
SEESP\SEED\MEC; Brasilia\DF, 2007.
4 – DAMÁZIO, M. F. M.; FERREIRA, de P. J. Educação Escolar de
Pessoas com Surdez – Atendimento Educacional Especializado em Construção – Revista
Inclusão do Ministério da Educação, 2010.